Psicoterapia em grupo é mais eficaz contra a impotência?

Postado em: Sem categoria por Mustafá Jarouche em 20-07-2007

Qual melhor forma de resolver a disfunção erétil?Â

Psicoterapia em grupo é mais eficaz contra a impotência? Um artigo interessante, escrito essa semana pelo Blog Vital esclarece um estudo coordenado pela professora de psiquiatria Tamara Melnik da  USP sobre o tratamento da disfunção erétil. Para ampliar a discussão, o famoso psicólogo e psicoterapeuta sexual Oswaldo M. Rodrigues Jr foi entrevistado e descreveu claramente o que de fato é efetivo para o tratamento dessa disfunção sexual. Veja abaixo:

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Uma revisão de 11 estudos coordenada pela professora de psiquiatria da Universidade de São Paulo Tamara Melnik constatou que a psicoterapia em grupo, centrada na vida sexual, é uma prática extremamente eficaz para tratar a disfunção erétil no homem. O estudo foi publicado online pela The Cochrane Library.

De acordo com a pesquisadora, a terapia de grupo é eficaz porque permite aos homens falar com outros de sua experiência, da importância que dão ao desempenho sexual. Como muitas vezes a disfunção tem origem em medos que surgem da ansiedade, da ignorância, das inibições culturais e de expectativas pouco realistas sobre o desempenho sexual, o fato de trocar experiências com outros homens pode aliviar um pouco essa carga de ansiedade e ajudar no tratamento.

O estudo constatou que a psicoterapia, combinada com o uso de pílulas para ereção, tem um resultado muito melhor do que quando se usa apenas a pílula. E com outra vantagem: o percentual de recaídas é menor.

 

Psicoterapia individual produz efeitos semelhantes

Para o psicoterapeuta Oswaldo M. Rodrigues Jr, diretor do Instituto Paulista de Sexualidade, o importante é a psicoterapia, e não necessariamente a psicoterapia em grupo, para a troca de experiências.

- A psicoterapia permite, através da expressão verbal, a re-significação das experiências e a conseqüente modificação das ações, e produz novas atividades. Outro estudo anterior, da mesma autora, comparava psicoterapia individual com e sem sildenafil (pílula para ereção), e os resultados foram os mesmos. Psicoterapia é um tratamento melhor do que apenas o sildenafil, e a psicoterapia com sildenafil também é melhor do que apenas o sildenafil – explica.

Segundo Oswaldo, o mecanismo desenvolvido pelos homens na psicoterapia individual ou de grupo não é de apenas deixarem de se cobrar, mas modificar os mecanismos cognitivos de se auto-cobrarem, e aprenderem a tomar atitudes mais adequadas e racionais sobre o comportamento sexual.

 

Quando o casal vai junto para o consultório, resultados são melhores

O psicoterapeuta confirma que, no consultório particular, o mais comum e viável é a psicoterapia individual ou com o casal, e não a terapia em grupo. Os resultados, segundo ele, são semelhantes em percentagem, registrados desde a década de 1960, com os primeiros estudos publicados sobre o efeito da psicoterapia sexual nestes problemas: 95% de sucesso.

- Em consultório particular os homens não querem mostrar-se aos outros homens para compararem-se. Dificilmente aceitam a idéia de psicoterapia de grupo, e apenas um em cada quatro homens já chega com a esposa para se tratar de problemas sexuais. Dividir o problema sexual ainda é algo considerado difícil de ocorrer.

Falar sobre o problema com o psicoterapeuta, ver que pode ser ouvido e compreendido, e saber que seu caso tem tratamento, segundo Oswaldo, são os fatores que fazem com que o paciente já tenha um primeiro alívio, e daí já surgem as primeiras melhoras sexuais.

- Pesquisas sobre psicoterapia, desde a década de 1970, mostram que alívios de sintoma ocorrem já nas primeiras quatro consultas. Porém, o que conta será a modificação das atitudes que coloquem o controle sobre o problema nas mãos do paciente. Solucionar o problema erétil deve demorar seis meses para 75% dos homens. Será mais rápido para os homens acompanhados de suas esposas/parcerias sexuais. Demorará mais tempo para os que estejam com depressão, problemas conjugais, apresentarem preferências sexuais diferentes ou apresentarem condições psiquiátricas – explica Oswaldo.

 

Tratamento tem hora para acabar

Para quem teme uma dependência eterna do psicoterapeuta, um tratamento sem fim, Oswaldo esclarece que não é bem assim. Segundo ele, há um prazo para a psicoterapia cumprir seu papel.

- Existe um momento em que ambos, paciente e psicólogo, concluem que não existe mais necessidade de continuar a psicoterapia. O tempo médio pode chegar a 12 meses, mas sem sofrimento, e num caminho tranqüilo e prazeroso. A alta da psicoterapia ocorre quando os objetivos são alcançados. A psicoterapia não pode ser usada a vida toda, não pode ser meio de vida para as pessoas. Muitos aprendem a usar a psicoterapia como uma forma de pensar alto e poder discutir assuntos em sigilo, e podem usá-la por muitos anos, mas não se trata, nesses casos, de uma psicoterapia com o objetivo de tratar um problema especifico.

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